Uma estrutura que acompanha o movimento
As malhas aparecem em camisetas, roupas íntimas, pijamas, vestidos, leggings, moletons, peças infantis e roupas esportivas. O que as distingue dos tecidos planos não é apenas a maciez ou a elasticidade, mas sua forma de construção.
As malhas são formadas por laçadas interligadas.
Quando essas laçadas mudam ligeiramente de forma e posição, a superfície ganha flexibilidade.
Por isso, muitas malhas cedem com facilidade, acompanham melhor o corpo e podem se alongar mesmo sem elastano.
Trilha de conhecimento · Estruturas têxteis e ligamentos · Etapa 2 de 4
Onde você está na trilha
Depois dos tecidos planos, você observa uma estrutura construída por laçadas e compreende por que as malhas respondem de outra maneira ao corpo e ao movimento.
O que é uma malha

As laçadas podem variar em tamanho, tensão, direção, densidade, espessura, combinação e acabamento. Por isso, uma meia-malha leve e um moletom encorpado pertencem à mesma grande família estrutural, embora apresentem comportamentos muito diferentes.
Podem ser
finas, grossas, leves, pesadas, firmes, abertas, compactas, felpudas, transparentes ou opacas.
O que permanece
A lógica de construção por laçadas conectadas, mesmo quando a superfície parece quase lisa.
Malha não é sinônimo de elastano
Malha
O alongamento pode surgir do próprio movimento das laçadas, inclusive em uma malha 100% algodão.
Elastano
Pode aumentar o alongamento, a recuperação, a adaptação ao corpo e a estabilidade durante o uso.
Comportamento final
Depende também do tipo de malha, da densidade, do fio, da tensão da construção e do acabamento.
A malha é uma estrutura.
O elastano é uma fibra. Uma pode existir sem a outra.
Como reconhecer uma malha
Use luz natural e, quando necessário, uma lupa. Procure colunas de laçadas, pequenos “V” no direito, arcos no avesso, maior flexibilidade, bordas que enrolam e pouca tendência ao desfiamento tradicional.
Nem todos os sinais aparecem juntos. Algumas malhas são densas e firmes; outras são abertas e muito flexíveis. O reconhecimento acontece pela reunião de sinais.
Direito e avesso
Compare desenho das laçadas, brilho, textura, pelos e regularidade. Quando a diferença for discreta, marque o avesso das partes cortadas com giz, linha de alinhavo ou etiqueta removível.
Sentido, alongamento e recuperação


Em muitas malhas, as colunas acompanham o comprimento e a maior elasticidade aparece na largura. Isso não é uma regra absoluta: algumas esticam mais no comprimento, outras nos dois sentidos e algumas se comportam de forma quase estável.
Alongamento
Quanto a malha aumenta quando é puxada.
Recuperação
Quanto retorna depois que a força é retirada.
Cedimento
Quando alonga e permanece parcialmente deformada.
Para peças ajustadas, a recuperação é tão importante quanto o alongamento. Uma malha pode esticar bastante e formar bolsas; outra pode esticar menos e retornar com firmeza.
Durante o teste, observe
Em qual direção estica mais, quanta resistência oferece, se retorna rapidamente, se esbranquiça, se a superfície se abre e se permanece deformada.
Malha, corpo e modelagem

A peça é maior que o corpo. Aparece em modelos amplos, soltos e confortáveis.
A medida da peça se aproxima da medida do corpo, sem grande compressão.
A peça é menor que o corpo e depende de alongamento e recuperação adequados para vestir e manter a forma.
Nas malhas, parte da mobilidade costuma vir da própria estrutura. Isso não significa que toda peça deva ser justa. Uma blusa ampla, uma camiseta e uma legging exigem relações diferentes entre modelagem, elasticidade e recuperação.
A folga negativa não é uma redução fixa.
Ela só funciona quando a malha oferece alongamento e retorno compatíveis com o projeto.
Peso, caimento e crescimento
Nem toda malha é fluida. Algumas são aderentes, firmes, estruturadas, volumosas ou compressivas. Segure a malha por uma extremidade e observe se forma dobras suaves, adere ao corpo, cria volume, mantém forma própria ou estica pelo próprio peso.
Malhas pesadas e fluidas podem crescer no comprimento, especialmente em vestidos longos, saias amplas, cardigãs e peças guardadas em cabides. O peso pode alongar as laçadas, modificar a barra, ceder decotes e deformar ombros.
Torção e encolhimento
Se as colunas não permanecem alinhadas e a superfície parece querer girar, a malha pode apresentar torção. Essa característica pode deslocar costuras laterais depois da lavagem. O encolhimento também depende da fibra, construção, acabamento, lavagem, secagem e temperatura.
Bordas, enrolamento e desmanche
Algumas malhas enrolam para o direito ou para o avesso quando cortadas. Isso pode dificultar corte, marcação, alinhamento e medição das margens. Pesos, alinhavos, estabilização temporária e manipulação cuidadosa ajudam a controlar o material.
As malhas não costumam desfiar como os tecidos planos. Elas podem abrir pontos, formar carreiras, soltar fios, enrolar ou criar furos. Observe se a borda permanece estável, começa a formar laços ou precisa de acabamento rápido.
Preparação e corte

Antes do corte, deixe a malha repousar sobre a mesa. Não a estique para alcançar determinada largura. Verifique direção das colunas, sentido de maior elasticidade, direito e avesso, brilho, pelo, estampa, torção e estabilidade das bordas.
Direção
Na maioria dos moldes, o comprimento acompanha as colunas e a maior elasticidade atravessa o corpo.
Apoio
Use pesos ou poucos alfinetes sem tensionar. Apoie toda a peça para que nada fique pendurado.
Precisão
Em malhas muito flexíveis, o corte em camada única pode reduzir deslocamentos.
A direção do molde não deve ser escolhida apenas para economizar material.
Costura de malhas

A principal preocupação é preservar a flexibilidade sem deformar a estrutura. Uma costura rígida pode romper; uma costura esticada pode ondular.
Pontos
Ponto elástico, zigue-zague estreito, pontos próprios para malha, overloque e galoneira são possibilidades conforme o equipamento e o projeto.
Agulhas
Ponta bola, jersey, stretch ou super stretch podem ser usadas conforme composição, densidade e elasticidade.
Transporte
Não puxe a malha à frente ou atrás do calcador. Deixe os dentes conduzirem o tecido e apoie o peso da peça.
Áreas que precisam de estabilidade
Ombros, decotes, zíperes, aberturas, bolsos, barras e costuras que sustentam peso podem precisar de fita, faixa estável ou outro suporte compatível.
Decotes e barras
Ribana, faixa do próprio tecido, viés de malha, revel, elástico, acabamento dobrado, agulha dupla, zigue-zague e galoneira são recursos possíveis. Não existe uma proporção única válida para todas as malhas: teste comprimento, recuperação, ponto e resposta à lavagem em um retalho.
Diagnóstico de problemas comuns
Não altere tudo ao mesmo tempo. Faça pequenas mudanças, teste em retalho e observe o resultado.
Como escolher uma malha para um projeto
Uma malha leve e fluida pode ser ótima para uma blusa ampla e inadequada para uma legging. Uma malha firme e compressiva pode servir à roupa esportiva e ser desconfortável em um pijama.
A melhor malha é aquela cujo comportamento corresponde ao projeto.
Uma prática simples

Escolha dois retalhos de malha. Não tente identificar primeiro o nome comercial: descreva o comportamento.
Observar
Procure laçadas, compare direito e avesso, teste largura e comprimento, observe retorno, bordas e peso.
Registrar
Anote em qual direção cada uma estica mais, se recupera, enrola, torce ou cresce quando pendurada.
Evoluir
Relacione cada comportamento a camiseta, vestido, legging, pijama, moletom ou roupa infantil.
Roteiro rápido para observar uma malha
Estrutura
- laçadas visíveis
- direito e avesso
- superfície aberta ou fechada
Elasticidade
- largura
- comprimento
- retorno
- resistência
Peso
- caimento
- crescimento
- volume
- opacidade
Estabilidade
- bordas
- torção
- corte
- manuseio
Uso
- movimento
- compressão
- conforto
- acabamento
Em síntese
As malhas são construídas por laçadas interligadas. Essa estrutura pode oferecer flexibilidade e adaptação ao movimento mesmo sem elastano.
O comportamento depende da combinação entre fibra, fio, construção, densidade, elasticidade, recuperação, peso e acabamento.
Na modelagem, parte da mobilidade pode vir do próprio tecido. No corte, é necessário respeitar direção, elasticidade e repouso. Na costura, ponto, agulha, transporte e estabilização precisam preservar a estrutura sem deformá-la.
Compreender uma malha é observar não apenas quanto ela estica, mas como retorna, sustenta e acompanha o corpo.
No próximo capítulo, estudaremos como diferentes ligamentos e construções transformam a superfície têxtil e dão origem a famílias com comportamentos próprios.
O que este capítulo acrescentou ao seu repertório
Malhas
Ao concluir esta etapa, você distingue malhas de tecidos planos, reconhece colunas e carreiras e antecipa cuidados relacionados à elasticidade, estabilização, agulha e acabamento.
