Várias malhas diferentes reunidas sobre uma mesa de madeira

Trilha 6 · A família das malhas

Capítulo 29

A família das malhas

Até aqui, percorremos três grandes famílias de tecidos planos.

Aprendemos a reconhecer:

  • o equilíbrio do ligamento tela;
  • as diagonais do ligamento sarja;
  • as superfícies do ligamento cetim.

Agora entramos em outra lógica de construção. As malhas. Nos tecidos planos, fios se cruzam.

Nas malhas, fios formam laçadas que se ligam umas às outras. Essa mudança estrutural modifica profundamente a maneira como o tecido:

  • se movimenta;
  • estica;
  • retorna;
  • acompanha o corpo;
  • responde à modelagem;
  • reage à costura.

Foi justamente essa estrutura por laçadas que conhecemos anteriormente, quando estudamos as grandes diferenças entre tecidos planos e malhas. Agora nosso objetivo é outro. Não queremos mais apenas responder:

“Isto é uma malha?”

Queremos começar a perguntar:

“Que malha é esta e como ela acompanha o corpo?”

Trilha 6 · A família das malhas

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Família das malhasMeia malhaCottonRibanaSuedineMoletomMalha caneladaViscolycraPonto RomaComparação

Uma família muito diversa

A palavra malha é ampla. Dizer que uma roupa será confeccionada em malha ainda nos conta muito pouco sobre o resultado. Uma malha pode ser:

  • fina;
  • encorpada;
  • firme;
  • muito elástica;
  • pouco elástica;
  • fluida;
  • estruturada;
  • macia;
  • canelada;
  • lisa;
  • térmica;
  • fresca.

Pode funcionar em uma camiseta básica. Pode formar uma gola que precisa retornar ao lugar. Pode produzir um pijama muito macio.

Pode sustentar uma calça. Pode criar um vestido extremamente fluido. Pode aquecer em um moletom.

Pode acompanhar uma peça ajustada ao corpo. Por isso, assim como aprendemos a não tratar todos os tecidos planos como iguais, também não devemos imaginar que exista um único comportamento chamado malha.

Malha é a família.

O comportamento de cada malha é que determina sua função.

O que une esta família

Apesar das diferenças, existe uma base comum. As malhas são construídas por laçadas interligadas. Essa organização permite que a estrutura se modifique quando o tecido é tensionado.

As laçadas podem se abrir, alterar sua forma e depois retornar, em maior ou menor grau. É por isso que muitas malhas apresentam elasticidade mesmo sem possuir elastano. Essa elasticidade é chamada de elasticidade estrutural.

Uma malha 100% algodão, por exemplo, pode esticar simplesmente porque sua construção permite o movimento das laçadas. Se houver elastano, esse comportamento poderá ser ampliado. Mas:

malha não é sinônimo de elastano.

E:

elastano não é a única razão pela qual uma malha estica.

Essa distinção será essencial durante todo este bloco.

Comparação macro: fios entrelaçados de um tecido plano à esquerda e laçadas de uma malha à direita
Comparação macro: fios entrelaçados de um tecido plano à esquerda e laçadas de uma malha à direita.

Esticar não basta

Quando começamos a observar malhas, é muito fácil fazer apenas um teste: puxar o tecido. Mas descobrir que ele estica não é suficiente.

Precisamos observar outra característica:

Recuperação

Recuperação é a capacidade que o tecido possui de voltar à sua forma depois de ser alongado. Imagine duas malhas. As duas esticam bastante.

A primeira volta rapidamente à medida inicial. A segunda permanece um pouco alargada. À primeira vista, ambas parecem muito elásticas.

Durante o uso, entretanto, podem produzir roupas completamente diferentes. Uma malha com recuperação insuficiente pode:

  • abrir no decote;
  • alargar na cintura;
  • formar bolsas nos joelhos;
  • crescer no quadril;
  • deformar punhos;
  • perder a forma ao longo do dia.

Uma malha pode alongar muito e recuperar pouco, enquanto outra alonga menos e retorna quase completamente. Por isso, durante este bloco, nossa pergunta não será apenas:

“Quanto estica?”

Também perguntaremos:

“Depois de esticar, quanto volta?”

Elasticidade e recuperação não são a mesma coisa

Esses dois conceitos precisam permanecer separados.

Elasticidade ou alongamento

Mostra quanto o tecido consegue aumentar de tamanho quando é tensionado.

Recuperação

Mostra quanto ele consegue retornar depois que essa tensão desaparece. Uma malha pode:

  • esticar muito e recuperar bem;
  • esticar muito e recuperar mal;
  • esticar pouco e recuperar muito bem;
  • praticamente não esticar em determinada direção.

Esse comportamento interfere diretamente na escolha da modelagem.

Sequência de uma malha em repouso, durante o alongamento e após o retorno
Sequência de uma malha em repouso, durante o alongamento e após o retorno.

Em qual direção a malha estica?

Outro aspecto fundamental é a direção. Nem todas as malhas esticam da mesma maneira. Algumas apresentam maior elasticidade:

  • na largura;

outras também apresentam bastante elasticidade:

  • no comprimento.

Existem ainda malhas que oferecem movimento significativo nas duas direções. Identificar a direção de maior elasticidade antes do corte é essencial, porque ela interfere diretamente na modelagem e no conforto da peça. Por isso, daqui para frente, sempre que observarmos uma malha, faremos dois testes separados.

Teste na largura

Segure uma pequena medida do tecido. Estique sem forçar. Solte.

Observe:

  • quanto aumentou;
  • se voltou;
  • se ondulou;
  • se abriu entre os pontos.

Teste no comprimento

Repita o mesmo processo. Compare. Essa simples diferença já pode explicar muito sobre o uso daquele tecido.

A malha precisa ser observada em movimento

Um tecido plano pode revelar muitas informações enquanto está repousado sobre a mesa. Com as malhas, isso não basta. Precisamos observá-las:

  • paradas;
  • esticadas;
  • depois de soltas;
  • contra a luz;
  • suspensas;
  • dobradas.

A malha muda quando entra em tensão. Uma superfície aparentemente opaca pode se tornar transparente. Uma malha que parece firme pode perder estrutura.

Outra pode parecer pequena e se expandir bastante. Uma malha canelada pode abrir entre as nervuras. Por isso:

A malha precisa ser observada da maneira como será usada: em movimento.

Oito perguntas para começar a ler uma malha

Durante os próximos capítulos, utilizaremos alguns critérios repetidamente. São eles:

1. Quanto ela estica?

Pouco? Moderadamente? Muito?

2. Em qual direção?

Mais na largura? Também no comprimento?

3. Como ela recupera?

Volta rapidamente? Permanece deformada?

4. Qual é sua gramatura?

É:

  • leve;
  • média;
  • encorpada?

5. Quanto cobre?

Permanece opaca quando relaxada? E quando esticada?

6. Como cai?

É:

  • mole;
  • fluida;
  • firme;
  • pesada;
  • estruturada?

7. Quão estável é?

Permanece relativamente parada durante o corte? Ou se desloca e deforma facilmente?

8. Qual é sua função?

Ela serve principalmente para:

  • acompanhar;
  • retornar;
  • aquecer;
  • estruturar;
  • dar fluidez;
  • oferecer maciez?

Essas perguntas serão mais úteis do que tentar decorar nomes isoladamente.

Gramatura nas malhas

A gramatura continua sendo importante. Assim como nos tecidos planos, ela nos ajuda a compreender quanto material existe em determinada área do tecido. Mas, nas malhas, precisamos relacioná-la à elasticidade.

Uma malha muito fina pode parecer adequada quando está relaxada e ficar bastante transparente ao ser esticada. Outra, mais encorpada, pode oferecer:

  • maior cobertura;
  • sustentação;
  • sensação de segurança;
  • volume.

Isso interfere diretamente em peças como:

  • leggings;
  • vestidos ajustados;
  • calças;
  • bodies;
  • camisetas.

Não existe uma gramatura melhor.

Existe uma gramatura coerente com a função.

Cobertura

Nas malhas, observar transparência apenas com o tecido parado pode enganar. Faça dois testes.

Relaxada

Coloque a malha contra a luz. Observe quanto consegue enxergar através dela.

Esticada

Alongue suavemente o mesmo trecho. Observe novamente. As laçadas se abriram?

O tecido ficou mais transparente? A cor pareceu menos intensa? Essa informação é especialmente importante para peças que ficarão tensionadas sobre:

  • busto;
  • quadril;
  • glúteos;
  • joelhos.

Uma malha precisa oferecer cobertura na condição em que será usada, não apenas quando está parada sobre a mesa.

Comparação entre malha relaxada e esticada, mostrando a abertura das laçadas sob tensão
Comparação entre malha relaxada e esticada, mostrando a abertura das laçadas sob tensão.

Estabilidade

Nem toda malha é extremamente instável. Existem malhas:

  • muito fluidas;
  • muito móveis;

e também outras:

  • firmes;
  • densas;
  • relativamente fáceis de controlar.

O ponto Roma, por exemplo, pertence a este universo e pode apresentar bastante estabilidade. A viscolycra ocupa outro extremo, privilegiando fluidez. Por isso, não devemos aprender:

“malha é difícil de cortar”.

Devemos aprender:

“algumas malhas exigem mais controle do que outras.”

Essa diferença será observada tecido por tecido.

Caimento

As malhas não apresentam um único tipo de caimento. Podemos encontrar:

Malhas que acompanham

Vestem próximas ao corpo e respondem aos movimentos.

Malhas que escorrem

Formam dobras suaves e privilegiam fluidez.

Malhas que sustentam

Oferecem mais corpo e mantêm formas mais limpas.

Malhas que criam volume

A espessura participa visualmente da peça. Essa variedade explica por que uma camiseta, um vestido fluido, uma calça e um moletom podem pertencer à mesma grande família têxtil. Meia malha, ribana, ponto Roma, moletom e outras malhas podem apresentar comportamentos profundamente diferentes mesmo pertencendo ao mesmo universo estrutural.

Toque

A maciez costuma chamar muita atenção quando compramos malha. Mas ela não deve decidir sozinha. Uma malha muito macia pode:

  • ter pouca recuperação;
  • ser transparente;
  • deformar;
  • formar bolinhas;
  • crescer durante o uso.

Outra, um pouco mais firme, pode apresentar excelente comportamento na peça. Por isso:

Maciez é uma característica. Não é garantia de adequação.

Sempre relacione o toque a:

  • recuperação;
  • cobertura;
  • gramatura;
  • estabilidade;
  • uso.

As bordas

Algumas malhas enrolam depois de cortadas. Esse comportamento está relacionado à própria construção. Pode aparecer de maneira discreta ou intensa.

Ao observar uma malha, veja:

  • a borda cortada enrola para o direito?
  • para o avesso?
  • permanece relativamente plana?

Isso interfere principalmente em:

  • corte;
  • marcação;
  • montagem;
  • barras.

O enrolamento não significa que o tecido seja ruim. É apenas mais uma informação sobre seu comportamento.

Malha e elastano

Este ponto merece atenção especial. Encontraremos diversas malhas com elastano. Ele pode melhorar:

  • alongamento;
  • conforto;
  • recuperação.

Mas sua presença não garante automaticamente uma boa malha. Uma malha com elastano ainda pode:

  • ser transparente;
  • ter pouca cobertura;
  • ser fina demais;
  • formar bolinhas;
  • ter toque desagradável;
  • deformar;
  • não funcionar para o projeto.

Portanto, não escolha uma malha apenas porque a etiqueta informa elastano.

Teste o tecido.

Composição

Assim como nos tecidos planos, a fibra modifica o comportamento. Podemos encontrar malhas produzidas com:

  • algodão;
  • viscose;
  • poliéster;
  • poliamida;
  • elastano;
  • misturas.

A composição pode influenciar:

  • toque;
  • absorção;
  • aquecimento;
  • secagem;
  • amassamento;
  • recuperação;
  • manutenção.

Mas ela não trabalha sozinha. Uma malha de algodão não se comportará como uma tricoline de algodão. A fibra pode ser a mesma.

A estrutura é diferente. Essa é uma demonstração muito clara de um dos princípios centrais deste guia:

A fibra participa do comportamento.

A construção transforma esse comportamento.

Malha e tecido plano

A comparação entre essas duas grandes estruturas ajuda a organizar o olhar.

Tecido planoMalha
Construído pelo entrelaçamento de fiosConstruída por laçadas
Geralmente mais estávelGeralmente mais flexível
Normalmente possui pouca elasticidade estruturalPode apresentar elasticidade estrutural
Modelagem depende bastante de folgaPode permitir menor folga ou redução
Costura pode ser pouco elásticaCostura frequentemente precisa acompanhar o alongamento
Tende a manter formas com maior facilidadeTende a acompanhar mais o corpo

Essas são tendências gerais. Existem tecidos planos com elastano. Existem malhas bastante firmes.

Por isso, essa tabela ajuda a entender a lógica, mas não substitui a observação do tecido real.

A modelagem muda

Talvez essa seja uma das maiores diferenças práticas. Em muitos tecidos planos, precisamos fornecer espaço para o corpo se movimentar. Essa folga pode aparecer na forma de:

  • vestibilidade;
  • pences;
  • recortes;
  • aberturas;
  • zíperes;
  • botões.

Nas malhas, parte desse espaço pode ser oferecida pela própria elasticidade do tecido. Isso permite que determinadas peças sejam construídas:

  • com pouca folga;
  • com folga zero;
  • ou até com medidas menores do que o corpo.

Mas isso não significa que toda malha possa receber a mesma redução. Uma ribana aceita reduções diferentes de um ponto Roma, e cada estrutura precisa ser relacionada à modelagem. Essa será uma das ideias mais importantes deste bloco:

O molde não deve apenas saber que o tecido é malha.

Precisa saber que malha é essa.

Folga positiva, zero e negativa

Nas malhas, três ideias aparecem com frequência.

Folga positiva

A peça possui medidas maiores que o corpo. Pode ser utilizada em:

  • camisetas soltas;
  • moletons;
  • pijamas amplos.

Folga zero

A peça se aproxima das medidas do corpo. A elasticidade permite movimento sem necessariamente comprimir.

Folga negativa

A peça possui determinadas medidas menores que as do corpo. O tecido precisa se alongar para vestir. Esse recurso depende diretamente de:

  • elasticidade;
  • recuperação;
  • cobertura;
  • conforto.

Uma malha que estica muito, mas não recupera, pode não funcionar bem com redução.

A costura também precisa se movimentar

Se a malha estica, algumas costuras precisam acompanhar. Uma costura rígida em uma área que precisa se expandir pode romper. Por isso, peças de malha podem utilizar:

  • overloque;
  • pontos elásticos;
  • determinados pontos disponíveis na máquina doméstica;
  • outras construções compatíveis.

Quando o tecido estica, a costura precisa acompanhar esse movimento.

Não significa que toda costura em malha precise ser extremamente elástica. A exigência depende da região da peça. Mas precisamos perguntar:

“Esta costura será tensionada durante o uso?”

A agulha

Malhas também exigem atenção à escolha da agulha. O objetivo é atravessar a estrutura sem danificar desnecessariamente as laçadas. A escolha dependerá da malha específica e de sua gramatura.

Por isso, durante os próximos capítulos, não utilizaremos uma regra única para todas. A melhor prática continua sendo:

  • escolher uma agulha compatível;
  • testar em retalho;
  • observar a formação dos pontos.

Se aparecem:

  • pontos falhados;
  • furos;
  • rompimentos;

algo precisa ser revisto antes da peça definitiva.

Não estique durante a costura

Um problema bastante comum acontece quando quem costura tenta “ajudar” o tecido a passar pela máquina puxando-o. Quando a malha volta à posição natural, a costura pode apresentar:

  • ondas;
  • deformação;
  • aumento de comprimento.

As mãos devem orientar.

O transporte da máquina deve fazer o avanço.

Existem exceções técnicas em que algum alongamento é intencional, mas isso será tratado quando necessário.

Estabilizar não significa endurecer

Algumas regiões de uma peça de malha precisam manter determinada medida. Podemos querer controlar:

  • ombros;
  • decotes;
  • aberturas;
  • algumas costuras;
  • determinados cós.

Nessas situações, estabilizar significa controlar a deformação onde ela não é desejada. Não significa retirar toda a elasticidade da peça. O objetivo é preservar equilíbrio.

As malhas que conheceremos

Neste bloco, estudaremos oito referências importantes. Cada uma mostrará uma maneira diferente de interpretar a construção por laçadas.

Meia malha — simplicidade

É uma das referências mais comuns do vestuário cotidiano. Aparece especialmente em:

  • camisetas;
  • blusas;
  • pijamas;
  • roupas infantis.

Pode apresentar grande variação de:

  • gramatura;
  • composição;
  • qualidade;
  • recuperação.

Palavra-chave: Cotidiano

Cotton — elasticidade com recuperação

O cotton aparece com frequência em peças que precisam acompanhar melhor o corpo. Muitas versões combinam algodão e elastano. Pode ser utilizado em:

  • camisetas ajustadas;
  • bodies;
  • roupas infantis;
  • peças confortáveis.

Seu comportamento precisa ser observado principalmente pela capacidade de esticar e voltar.

Palavra-chave: Recuperação

Ribana — retorno

A ribana possui forte relação com:

  • golas;
  • punhos;
  • barras;
  • cós.

Sua identidade não está apenas no aspecto canelado. O mais importante é sua capacidade de:

  • expandir;
  • acompanhar;
  • retornar.

Por isso, nem toda malha canelada substitui uma boa ribana.

Palavra-chave: Retorno

Suedine — maciez

O suedine é frequentemente associado a:

  • toque suave;
  • conforto;
  • peças infantis;
  • pijamas.

Mas a maciez não deve esconder outros critérios. Precisaremos observar:

  • estabilidade;
  • recuperação;
  • gramatura;
  • comportamento na lavagem.

Palavra-chave: Maciez

Moletom — aconchego

O moletom amplia a espessura e o volume dentro dessa família. Pode apresentar avesso:

  • felpado;
  • flanelado;
  • ou com outra textura, conforme a versão.

É comum em:

  • blusões;
  • casacos;
  • calças;
  • roupas de frio.

Aqui, observaremos especialmente:

  • peso;
  • aquecimento;
  • volume das costuras;
  • acabamento com ribana;
  • possibilidade de encolhimento.

Palavra-chave: Aconchego

Malha canelada — textura e ajuste

A superfície marcada por nervuras cria uma identidade própria. Pode ser usada em:

  • regatas;
  • blusas;
  • vestidos;
  • peças ajustadas;
  • conjuntos.

Mas precisamos observar o que acontece quando o tecido é esticado. As nervuras:

  • abrem?
  • revelam transparência?
  • retornam bem?

Palavra-chave: Textura

Viscolycra — fluidez

A viscolycra ocupa uma posição muito diferente. Sua identidade está ligada a:

  • toque macio;
  • queda;
  • movimento;
  • fluidez.

Pode produzir:

  • blusas;
  • vestidos;
  • saias;
  • peças amplas.

Mas sua fluidez precisa ser observada junto a:

  • recuperação;
  • transparência;
  • crescimento;
  • deformação.

Palavra-chave: Fluidez

Ponto Roma — estrutura confortável

O ponto Roma mostra que uma malha também pode ter presença e estabilidade. Tende a apresentar:

  • mais corpo;
  • boa cobertura;
  • caimento controlado;
  • aparência mais organizada.

Pode ser usado em:

  • vestidos;
  • saias;
  • calças;
  • blusas encorpadas;
  • conjuntos;
  • blazers leves.

Ele será especialmente importante para desmontar a ideia de que toda malha é “mole”.

Palavra-chave: Estrutura

Um primeiro mapa da família

Podemos começar a guardar uma imagem mental simples:

MalhaO que observar primeiro
Meia malhacomportamento geral
Cottonrecuperação
Ribanaretorno
Suedinemaciez
Moletomvolume e aquecimento
Malha caneladatextura e abertura
Viscolycrafluidez e deformação
Ponto Romaestrutura e cobertura

Esse quadro não resume completamente cada tecido. Ele apenas oferece uma primeira referência. Os próximos capítulos aprofundarão cada um.

Um mesmo projeto pode mudar completamente

Imagine uma camiseta. Ela pode ser confeccionada em meia malha. Pode ser feita em cotton.

Pode usar malha canelada. Em determinados modelos, até um ponto Roma pode ser utilizado. Mas a camiseta não será a mesma.

A meia malha pode produzir uma peça básica. O cotton pode aproximá-la mais do corpo. A canelada modifica textura e ajuste.

O ponto Roma acrescenta corpo. O mesmo acontece com um vestido. Em viscolycra, pode escorrer.

Em ponto Roma, pode sustentar. Por isso:

Escolher a malha é também escolher como a modelagem será interpretada.

O olhar de quem costura

Ao entrar em uma loja e encontrar uma malha, não comece perguntando apenas:

“Qual o nome?”

Comece pelas mãos. Estique. Solte.

Observe. Depois pergunte:

  • quanto estica?
  • em qual direção?
  • volta?
  • abre?
  • fica transparente?
  • enrola?
  • cai?
  • sustenta?
  • é pesada?
  • é macia?
  • tem cobertura?

Só depois relacione essas respostas ao nome comercial. A escolha deve considerar elasticidade, recuperação, gramatura, cobertura, toque, caimento, estabilidade, acabamento e uso real.

Antes de comprar

Abra uma parte do tecido. Não avalie apenas o pedaço preso ao rolo. Faça uma pequena sequência.

Estique na largura

Observe quanto cede.

Solte

Veja se retorna.

Estique no comprimento

Compare com a largura.

Coloque contra a luz

Observe a cobertura.

Estique contra a luz

Veja se as laçadas se abrem.

Suspenda

Observe o caimento.

Veja as bordas

Elas enrolam?

Toque

A maciez corresponde ao uso pretendido?

Leia a composição

Ela ajuda a explicar o comportamento?

Imagine a peça

Ela ficará:

  • justa?
  • solta?
  • pesada?
  • quente?
  • fluida?
  • estruturada?

Comprar malha exige imaginar seu comportamento no corpo, na costura e depois da lavagem — não apenas julgá-la parada sobre a mesa.

Uma prática simples

Escolha duas peças de malha que já tenha em casa. Por exemplo:

  • duas camisetas;
  • uma camiseta e uma legging;
  • um pijama e uma blusa;
  • uma peça de moletom e uma camiseta.

Não precisamos saber os nomes dos tecidos.

1. Estique na largura

Qual estica mais?

2. Solte

Qual volta melhor?

3. Estique no comprimento

O comportamento mudou?

4. Observe contra a luz

Qual oferece maior cobertura?

5. Estique contra a luz

Alguma ficou mais transparente?

6. Suspenda

Qual cai? Qual sustenta?

7. Observe as bordas ou costuras internas

O tecido tende a enrolar?

8. Relacione ao uso

Pergunte:

“Por que cada uma dessas malhas funciona na peça em que foi usada?”

Esse é o início do estudo desta família.

Não precisamos nomear primeiro.

Precisamos aprender a perceber.

Erros comuns

Pensar que toda malha estica muito

O grau de elasticidade varia.

Acreditar que toda malha possui elastano

A própria estrutura pode produzir elasticidade.

Observar apenas quanto estica

A recuperação é tão importante quanto o alongamento.

Escolher apenas pela maciez

Uma malha agradável ao toque pode não sustentar a peça.

Ignorar a transparência sob tensão

Algumas malhas parecem opacas até serem esticadas.

Utilizar a mesma modelagem em qualquer malha

Elasticidade e recuperação modificam a vestibilidade.

Tratar toda malha como instável

Existem construções bastante firmes.

Usar uma costura que não acompanha o movimento

Ela pode romper quando a peça é vestida.

Confundir elastano com qualidade

A presença da fibra não garante bom comportamento.

Maciez, elastano e simples capacidade de esticar nunca devem ser analisados isoladamente.

Guia de decisão

Ao escolher uma malha, comece pela função que o projeto exige.

Para uma camiseta básica

Procure:

  • conforto;
  • cobertura;
  • estabilidade suficiente;
  • caimento adequado.

Para uma peça ajustada

Observe principalmente:

  • elasticidade;
  • recuperação;
  • cobertura.

Para gola ou punho

O retorno é essencial.

Para pijama

Observe:

  • maciez;
  • conforto térmico;
  • respirabilidade;
  • movimento.

Para roupa de frio

Considere:

  • espessura;
  • volume;
  • aquecimento.

Para vestido fluido

Procure:

  • caimento;
  • movimento;
  • recuperação suficiente para manter a forma.

Para calça ou vestido mais estruturado

Observe:

  • corpo;
  • cobertura;
  • estabilidade;
  • recuperação.

A pergunta que acompanhará todo este bloco será:

“Esta malha acompanha o corpo da maneira que o projeto precisa sem perder a forma?”

Resumo técnico

CaracterísticaFamília das malhas
EstruturaLaçadas interligadas
ElasticidadeVariável; pode existir sem elastano
RecuperaçãoFundamental para avaliar desempenho
Direção do alongamentoPode variar entre largura e comprimento
GramaturaDe muito leve a encorpada
CoberturaDeve ser observada também sob tensão
CaimentoDe muito fluido a estruturado
EstabilidadeMuito variável
BordasAlgumas construções tendem a enrolar
ModelagemDiretamente relacionada à elasticidade e recuperação
CosturaPrecisa ser compatível com o movimento necessário
ComposiçãoAlgodão, viscose, poliéster, poliamida, elastano e misturas
UsosDo vestuário básico às peças estruturadas, esportivas, infantis e de frio

Em síntese

A família das malhas é a família do corpo em movimento.

Sua construção por laçadas permite:

  • flexibilidade;
  • elasticidade;
  • adaptação;
  • conforto.

Mas cada malha interpreta essas possibilidades de uma maneira. A meia malha nos mostrará o cotidiano. O cotton, a recuperação.

A ribana, o retorno. O suedine, a maciez. O moletom, o aconchego.

A malha canelada, a textura. A viscolycra, a fluidez. O ponto Roma, a estrutura confortável.

O olhar iniciante percebe que a malha estica. O olhar atento observa se ela volta. E quem aprende a ler malhas começa a entender como o tecido acompanhará o corpo antes mesmo de cortar.

O que este capítulo acrescentou ao seu repertório

Depois deste capítulo, você é capaz de reconhecer as malhas como uma grande família construída por laçadas. Você compreende que sua elasticidade pode nascer da própria estrutura e não apenas da presença de elastano. Você começa a diferenciar:

  • alongamento;
  • recuperação;
  • gramatura;
  • cobertura;
  • estabilidade;
  • caimento.

Também compreende que a palavra malha não define sozinha como uma roupa irá vestir. É necessário investigar qual malha está diante de nós. A partir de agora, quando encontrar uma malha, você não perguntará apenas:

“Ela estica?”

Começará a perguntar:

“Quanto estica?”

“Em qual direção?”

“Quanto volta?”

“Como cai?”

“Quanto cobre?”

“O que acontece quando entra em tensão?”

“Esse comportamento combina com minha peça?”

Esse é o olhar que permitirá compreender todos os tecidos deste bloco.